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Quer falar? Fale na cara!

O roteiro de uma indireta é quase sempre o mesmo. Alguém tem algo a dizer, mas não quer se expor de uma forma tão aberta para uma única pessoa só. O que ela faz? Ela escolhe alguma frase, algum comentário, qualquer música que ilustre aquilo que ela está sentindo e posta. Em tempos de redes sociais, transformar o feed num mural de recados se tornou uma prática comum que qualquer pessoa já pode ter utilizado como recurso. E, no final, não há como julgar.

Às vezes é mesmo mais fácil se esconder atrás de um verso para dizer tudo aquilo que não temos coragem de dizer na cara.

Só que tem sempre um lado ruim nessa história – pelo menos do meu ponto de vista e ainda que eu esteja envolvido na indireta lançada ou recebida: você perde a oportunidade de conversar franca e abertamente com alguém por conta de um medo da sua reação. Ok, nem sempre é o medo ou receio de como o outro reagirá ao que temos a falar que nos impele a postar aquela música tão cheia de recados nas nossas redes, mas na grande maioria das vezes perdemos a oportunidade de fazer o que qualquer um deveria. No popular é o famoso “falar na cara”.

Ainda corremos o risco de tentar atingir uma pessoa e acabar acertando outra. Como? Imagine que você quer se declarar e, postando uma letra, um texto, um vídeo no seu feed ou legenda de foto acaba enviando um recado para alguém que, talvez, nem leia, nem veja, nem ouça. E outra pessoa pode pegar aquilo e se apropriar do recado. Claro, neste belíssimo exemplo você teria que ter duas opções de rolo, mas isso vira e mexe acontece em outras esferas da nossa Vida. Tentamos chamar a atenção de alguém, puxar a orelha de uma pessoa, colocar pra fora algum sentimento e, quando percebemos, estamos mirando em todos sem conseguir ser percebido por quem importa.

Tentar dizer que é mais fácil ser “adulto e chamar pra conversar” é ignorar o fato de que muitas das vezes não queremos chegar e falar. Como as relações humanas são complexas mesmo, existirão momentos em que será muito mais simples tocar a campainha e sair correndo, sem ter que aturar represálias ou dar chance para explicações que possam nos chatear mais ainda. Só que é preciso saber que, nessas vezes, a campainha pode ser em vão: a casa vazia não tem ninguém para cair na pegadinha. Ou, na analogia, na indireta enviada.

Se algo te incomodar, sugiro fortemente (desculpa a expressão, mas é que tô viciada nele desde que comecei a assistir “This is Us”) que você passe por cima do seu medo, receio, orgulho ou raiva, e diga tudo aquilo que te sufoca o peito e aperta o juízo. Se livrar de pensamentos e sentimentos tóxicos é um passo importante para estar em paz consigo mesmo e com o Mundo. E mesmo que não estejamos falando de um sentimento ruim, mas de um amor que você não quer declarar por exemplo, guardá-lo nunca lhe dará a chance de vivê-lo.

Fale. Uma indireta sempre faz maior estrago naquele que a lança.

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