Eu também queria gostar de você

Eu sei que é ruim ouvir. Sei que dói. Dá raiva. Entristece. Sei que não faz muito sentido e às vezes enlouquece. Também já ouvi isso um bocado de vezes e em lapsos de irresponsabilidade até me comprometi a nunca reproduzir essa frase. Mas não adianta. É melhor eu falar e lhe deixar ir do que roubar o seu tão precioso tempo para depois partir. Eu preciso dizer: você é perfeito, mas não para mim.

Das frases de desamor que eu já ouvi, talvez essa tenha sido a mais cruel. Eu sei que soa incoerente. Sei que parece mentira e lhe faz duvidar do meu caráter e do meu bom senso. Mas acredite, quase-amor, se eu fosse capaz de escolher minhas paixões, você seria a primeira das minhas intenções.

A verdade é que as coisas não são assim. Pelo menos não as do coração. A paixão é teimosa e insiste em tomar suas próprias decisões. Rejeitou minha enorme lista de razões para amar você e abriu mão das muitas alegrias que eu desconfio, com quase certezas, que você me proporcionaria. Má sorte. Muito má sorte a minha.

Desejo-lhe sorte, quase-amor. Desejo a sorte que você merece ter. Desejo-lhe sorte para encontrar alguém que tenha a sorte de amar você. Desejo-lhe a sorte que eu não tive por esse meu coração ser tão tolo e não se encantar por todas as qualidades que eu sei que habitam você. Eu também não me entendo. Sei que você não vai entender.

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