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Celular, o novo cigarro

Longe de falar dos malefícios cancerígenos que os dois podem provocar, sim, dizem que o celular também pode causar câncer, mas deixamos isso para as pessoas com síndrome de Dráuzio Varella. Vim falar de algo menos científico, pequenas atitudes que cada vez mais estão ditando o ritmo do nosso cotidiano: a dependência social.

Hoje em dia parece que as pessoas necessitam estar segurando algo para sentirem-se presentes, vivas, desde celulares, cigarros, até copos de bebida…

Como o cigarro nos anos 70/80 o celular virou uma necessidade de instância na mão das pessoas, parece que somos instruídos a sempre estar atentos ao próximo whatsapp, mensagem ou inbox. E caso demoremos para responder só há um motivo: descaso.

Pessoas dormem com telefone, vão ao banheiro com telefone e eu não me incluo fora dessa, mas por quê? Pois não podemos “perder” um minuto, não podemos perder o que julgamos tão valioso, mas que muitas vezes não sabemos valorizar, a vida.

Sinto como se os jovens de hoje fossem morrer com 30 anos, essa necessidade de querer ficar rico agora, de curtir agora e tudo agora, agora… A vida também é boa com 40 anos, dizem, e assim acredito que quanto mais velhos vamos ficando, mais valorizamos os detalhes dos momentos em que estamos presenciando.

E isso é só uma premissa para tocarmos no assunto que mais aflige essa sociedade: a necessidade de rapidez.

Rapidez dos sentimentos, de ganhar dinheiro, de conquistar as pessoas, seus objetivos e tudo o que julgamos valioso, pelo menos naquele minuto. Perdeu-se a valorização dos detalhes, dos pequenos nuances, da diluição dos sentimentos, dos aconteceres…

Individualismo, talvez essa seja a premissa desse século.

Chega a ser exaustivo, você se esforça para reunir o grupo, mas por certas circunstancias tem que digladiar contra uma força maior, o celular.

“É só uma mensagem” – “Tenho que responder…” – “Rapidinho” – “Viu? Você também está usando, depois vem falar de mim…”

Que paradigma, muitas vezes enaltecemos a vida, os bons costumes, mas falhamos na hora de sentar com nossos amigos e simplesmente vivermos aquele momento. A vida é feita de momentos, às vezes bons, às vezes ruins, mas na maioria das vezes necessários.

O frasco da vida é muito maior do que nós jovens achamos que é, parece que se não curtirmos dos 18 aos 30 anos nossa vida vai se esgotar, e assim às vezes julgamos saber mais da vida do que realmente sabemos ou até consideramos verdades como absolutas simplesmente por inexperiência.

Queremos fazer tudo ao mesmo tempo e não fazemos nada. Vivemos nesse palco denominado vida e queremos ser protagonistas em todas as peças, mas quem disse que às vezes ser coadjuvante não pode ser divertido?

Por fim não acredito que esse contato instantâneo seja mais importante do que as vivências empíricas junto a nossos amigos. Então proponho um trato, se for para sair com seus, meus, nossos amigos evite o celular e curta a conversa regada a sorrisos, besteiras e… Mais besteiras.

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