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Roubada da vez: “Ainda faço ele mudar”

Um dia desses, me deparei com um caso que me causou um misto de comoção e cumplicidade, típico de quem assiste O Diário de Bridget Jones e tem vontade de devorar uma barra de chocolate ao som de Out Of Reach, quando a protagonista aparece curtindo uma dor de cotovelo por estar caidinha pelo chefe bonitão e nada monogâmico, vivido por Hugh Grant.

Na trama da vida real, Bridget não é jornalista. Tem cerca de vinte anos, é linda, inteligente, carinhosa e está há mais ou menos um ano enrolada com outro bonitão, que insiste em deixar claro que não pensa em relacionamento sério. Fica inclusive com outras garotas. Ela sabe e detesta esta condição, mas, resignada, se empenha ao máximo para agradá-lo. Faz tudo que ele gosta na cama, é companheira e chega a ser a queridinha da pseudosogra! Mesmo assim, Bridget não nota qualquer indício de que a friendzone colorida deve se transformar em algo mais sério. Afinal, onde foi que ela errou?

Como sigo a linha pé no chão em todas as questões relacionadas a vida a dois, considero indício de roubada a velha história de uma mulher transformar o cara descolado no típico namorado fiel. Acredito que o principal equívoco da nossa colega seja atribuir a ela uma mudança que só depende única e exclusivamente do cara de quem ela está a fim. É preciso que ele esteja realmente a fim de renunciar a certos hábitos. E, acreditem, quando os homens realmente estão interessados deixam isso bem claro até porque costumam ser muito mais simples, objetivos e avessos a mimimis do que nós.

E outra: qual a finalidade de começar um relacionamento com alguém que você só aceita se passar por uma mudança arbitrária? Não estou fazendo campanha a favor da síndrome de Gabriela. Detesto aquela desculpa cômoda de “eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim” até porque, na prática, as duas partes deverão negociar e ceder para que haja um equilíbrio. A diferença é que, em uma relação saudável, toda mudança é feita de forma consensual e está ligada à vontade de ver o outro um pouco mais feliz. Sinceramente, só vejo dois desfechos para qualquer transformação desencadeada exclusivamente pela nossa Bridget: ter uma relação na qual o bonitão finge ser alguém para agradá-la, mas pula a cerca direto, ou ainda o término do romance, com o cara dando preferência a outras meninas que estejam na mesma vibe de ficar e não se apegar.

O mais curioso é que não é só a Bridget da vida real que pensa sim. Volta e meia, me deparo com mulheres que, movidas por ciúmes e inseguranças bobas, fazem o mesmo com seus parceiros. Chope com os amigos? Não, só se eu estiver por perto. Jogo de futebol na TV? Não, tem que ver filme ao meu lado e fazendo cafuné. Amigas para conversar? Não, sua única e exclusiva sou eu. Todas as outras são vagabundas. Em longo prazo, toda esta pressão leva a um desgaste e uma frustração que prejudicam – e muito – o casal que vive fechado em si mesmo. Daí, a ideia equivocada de que relacionamento é uma prisão.

Nesta primeira coluna, o recado que deixo para a mulherada é respeitem vocês mesmas, se valorizem, e digam adeus às neuras diversas que volta e meia nos perseguem, especialmente a de que não somos suficientemente boas para estar com alguém. Esta atitude é o primeiro passo para ser uma mulher verdadeiramente sexy e bem acompanhada.

E, Bridgets do meu Brasil varonil: move on! Procurem homens que sejam coerentes com o estilo que vocês buscam. Tenham foco. Lembrem-se de que também existem caras fofos no estilo Mark Darcy espalhados por aí. É claro que uma pitadinha de cafajeste a la Daniel Cleaver também é bem-vinda para dar aquela apimentada na relação.

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