"Tudo acontece em Elizabeth Town" um filme para quem precisa de uma grande virada Esta foto é sua?

“Tudo acontece em Elizabeth Town” para quem precisa de uma grande virada

Utilizar em benefício próprio uma experiência pessoal intensamente vivida. Foi assim que Cameron Crowe, especialista em filmes sobre grandes viradas, arquitetou esse longa tão cheio de graça motivacional. Uma história biográfica, envolvendo sustância familiar, aliada ao tema pela busca incansável do auto-encontro e muita, mas muita cultura pop: assim é a assinatura do diretor de filmes como “Compramos um zoológico”, “Jerry Maguire” e “Quase Famosos”.

Em “Tudo acontece em Elizabethtown”, a estrela que incandesce a história é Kirsten Dunst. É uma atriz que sabe usar seu olhar felino a favor de suas interpretações instigantes. Seu ímpeto é daquele de quem quando tudo quer tudo tem – isso sem nunca perder a eterna ternura adolescente. Uma luz que faz toda diferença quando se tem um talento médio como o de Orlando Bloom, sempre melancólico em suas tentativas iguais.

 “Se eu partisse amanhã / Você ainda se lembraria de mim? / Pois eu devo seguir viagem, agora / Pois há muitos lugares que eu preciso ver / Mas, se eu ficasse aqui com você, garota / As coisas simplesmente não seriam iguais / Pois eu sou tão livre quanto um pássaro agora / E este pássaro você não pode mudar”

Diz a canção “Free Bird“ numa das mais espontâneas e inesquecíveis passagens do filme.

“Então tenha a coragem de cair do alto e continuar por aí. Faça-os se perguntar por que você continua sorrindo. Essa é a verdadeira grandeza para mim.” Claire

Claire é assim: um erro sorridente por trás de uma aparente perfeição, um sol aberto em meio a qualquer pé d’água. Uma possível “pessoa passageira” vestida de um pragmatismo loiro, capaz de solucionar os piores dilúvios existenciais. Entre longas conversas por telefone, um mapa inspirador e uma trilha cheia de fortunas sonoras. Prevalecem tentativas, falhas e um conselho: não se demorar ao chão.

“Elizabethtown” consegue ir crescendo após a síncope do luto. Na verdade, a gente vai descobrindo a cada cena que a vida é tão inesperada quanto a morte, e a graça às vezes é justamente não saber qual será a próxima música da playlist. O modo aleatório é um simpático distribuidor de surpresas.

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