Vai ser feliz para lá!

Toda vez que você me liga eu sinto algo diferente. Por exemplo, no começo era dor. Eu chorava de soluçar. Tinha que duelar comigo mesmo para deixar o telefone tocar sem atender. Vivia um paradoxo total de uma luta entre o que havia de melhor em mim: minha vontade de seguir e esse amor que eu sentia.

Depois, tive que bloquear você de todos os lugares possíveis. O ideal seria que o feed da Vida nunca mais trouxesse novidades suas. Vai ser feliz pra lá, sabe? Não queria o incômodo de continuar vendo o seu sorriso e saber que você não queria ser mais nada. Aliás, queria continuar me tratando como sempre.

Não, foi mal. Esse “pra sempre” eu não quero.

Assim, dia após dia, fui melhorando. Logo as suas ligações passaram a não ser um distúrbio no meu dia. Eu até já te atendia. Dizia que estava tudo bem, te fazia sentir raiva e confesso que aquilo começou a me divertir. Desligava o telefone e, às vezes, pensava ter sido uma bênção conseguir me soltar de você.

Foi aos poucos, demorado, e tive que deixar pedaços meus nos espinhos que me amarravam, mas me soltei. Passei a viver um misto de querer outra ligação só pra saber se você ainda se importava ou se o seu sumiço era definitivo.

Hoje eu sinto pena.

Vejo seu nome piscando no visor e até acredito que exista a saudade. Sinto o celular vibrando e não me oponho a você achar que pode me procurar só para dizer todo aquele discurso pronto, mas sinto pena. Você teve tudo nas mãos. Melhor: me teve e tinha acesso livre à minha vida. Agora voltei à postura de antes. Atender suas chamadas para que mesmo?

Hoje você só tem meu número e sabe lá Deus se outro dia eu vou querer falar contigo de novo.

Sabe lá.

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