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Vem comigo – o metrô

Como você sabe pego metrô diariamente de casa para o trabalho e do trabalho para te ver. Sempre esbarro com um piano na estação da Luz que nunca tive a chance de contar para você. Gosto daquele gigante deslocado num canto tipicamente urbano transformando o lugar num espaço clássico quase europeu.

Ele permanece ali, parado, quieto e de um momento para outro dobra de tamanho por meio de uma música improvisada. Outro dia vi um senhor quase sem dentes sorrir como nunca dedilhando notas incompreensíveis. Fiquei imaginando ele alegre em seus devaneios achando que era a própria encarnação do Richard Clayderman. Aquela ousadia me encanta de quem sente que não vai perder a alma ou a dignidade só porque tropeçou com as mãos (ou na vida).

Essa rigidez boba de quem nunca se atira nas mínimas coisas era nula no piano daquele homem. Sim, ele e o piano errado viraram uma só entidade. Já em outra garota mais jovem, talvez imatura, errar parecia um desassossego sem fim a tal ponto que deu um leve e “inofensivo” safanão no piano. Achei boba essa infantilidade de descontar no piano como se fosse um voodoo com vida própria tramando pelo seu fracasso musical.

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Acho estranho quem nunca se assume aprendiz.

Uma dupla de garotos me surpreendeu, pareciam profissionais dedilhando alegremente em meio ao caos das sete horas da manhã. Queria que tivéssemos oportunidade de criar essas ilhas de tranquilidade em meio ao caos do cotidiano, deixar nossa mente serenar, mergulhar no mundo sem se contaminar e deixar que ele acolha nossa volúpia. Era só e tudo isso que queria te contar sobre o piano no metrô.

Beijo grande.

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