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O destino não está sob a nossa decisão

Já faz um bom tempo que passei a me reconhecer como impulsivo e ansioso. Nem bem começo a assistir um vídeo no YouTube e já quero que ele acabe. Nem bem coloco uma música para tocar e já quero ouvir a próxima. Nem bem comecei a ler um livro e já tenho mais dois comprados, esperando a hora de serem lidos. Mas, além de toda essa pressa, percebi que algo em mim me sabotava para que eu continuasse a ser deste mesmo jeito.

Com o passar dos meus destemperos, do meu estresse por motivos banais, da minha raiva e rancor por erros crassos e pequenos dos que me cercam, percebi que eu, de uma forma totalmente involuntária e inconsciente, comecei a dar ouvidos a uma voz que soprava em minha mente tudo que era de mais feio diante de toda e qualquer situação. Comecei a supor antes de entender, a reclamar antes de tudo acontecer, a deixar que toda a energia boa fosse embora sempre que qualquer problema do tamanho de uma formiga surgisse pelo caminho.

Depois de longos e terríveis pensamentos, depois de intermináveis semanas, de ver o dia nascer algumas vezes, tantas discussões e topadas que acabei, por esse meu jeito, levando da vida, acabei caindo na real. Não me pergunte como, não me pergunte de que forma, mas uma ficha caiu e me mostrou que eu nunca, absolutamente nunca vou conseguir mudar o mundo, nem todas as pessoas que existem nele.

Eu nunca vou poder mudar a forma como as pessoas me tratam, eu nunca vou poder forçar a parte dos meus planos que não depende de mim para dar certo, eu nunca vou conseguir voltar no tempo e apagar certas falas, eu nunca vou poder passar por cima dos meus sentimentos para agradar a alguém. Eu nunca vou poder fazer uma porção de coisas que esse meu coração ansioso para ser feliz logo, me pede e, automaticamente, me frustra por não conseguir.

A gente, sob hipótese alguma, vai conseguir mudar certos fatos e acontecimentos das nossas vidas. O destino não está sob a nossa decisão. Os dias não dependem da nossa aprovação para amanhecer. A chuva, por mais que as roupas estejam no varal e nós estejamos andando ao ar livre, rumo a um comprimisso importante, não vai deixar de cair porque vai molhar tudo. A única coisa que, realmente, podemos controlar, é como reagimos aos inevitáveis fatos.

Eu posso escolher ouvir ou não a voz que me diz que eu não vou dar certo, que eu não vou ser feliz, que é melhor não dobrar à direita, comer torta de chocolate ou fazer uma viagem no ano novo. Eu posso escolher ouvir àquelas pessoas tóxicas que sentem inveja, ódio e rancor de mim, sem eu ter feito sequer alguma coisa que justificasse tal ato. Ou eu posso ouvir e seguir o meu coração. Escolher o que eu quero, sem me preocupar em dar certo ou com todo o resto.

Existem diversos caminhos, energias e pessoas espalhadas pelo mundo. Quase sempre, nos apegamos aos mais errados, aos piores ou menos fáceis, achando que precisamos passar por certas coisas para merecermos ser felizes. Olha, amigo, não. Você, eu e o Papai Noel do shopping merecemos ser felizes. Isso não envolve nenhum tipo de merecimento e, te garanto, se envolver, você, só por ter ar entrando nos teus pulmões e coração circulando nas tuas veias, já tem o maior aval de todos para ser feliz: você está vivo. Honre isso.

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