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Suas promessas foram barco de papel

É certo que nunca tive coragem de depositar nas mãos de ninguém minha parte mais bonita. Aquele pedacinho que enxergava a vida com um sorriso estampado no rosto e a confiança de que tudo em mim me bastava. Você chegou com a promessa de tornar tudo ainda mais brilhante. Foi lindo perceber em você a esperança de uma cor nova para o meu mundo.

Suas palavras doces e abraços aconchegantes derrubaram os meus muros. Mal me dei conta do momento em que te deixei habitar lugares da minha vida que sempre foram só meus. Você recebeu as chaves da minha casa interior, porque tudo em você me mostrava querer ficar.

Eu estive ao seu lado quando ninguém mais foi capaz de te entender. Cuidei das feridas da sua alma como se na minha própria elas estivessem abertas. Entendi os teus silêncios, porque sabia que você tentava se recuperar de uma vida que em alguns momentos não foi tão justa assim. Confidenciei os meus segredos e medos. Contei dos meus sonhos e abri espaço para construir algo que coubesse nós dois. Entreguei em uma bandeja o meu coração… aquele mesmo coração que você viria a partir e esquecer em um canto qualquer.

É, rapaz, eu confiei a você aquela parte mais bonita de mim.

Você me prometeu o mundo, mas não foi capaz de me oferecer nem o caminho que percorro até a esquina. Com a voz mansa, te vi confidenciar juras que supostamente nunca havia feito a ninguém. Confiei quando você disse que jamais me faria chorar, que deixaria gravado na nossa história apenas as boas lembranças. Ouvi da sua boca que estaria sempre aqui quando as coisas não estivessem tão bem assim. Que ironia da vida, não? No final, foi você quem me destruiu.

Mas as suas promessas foram barco de papel. E nem foi preciso uma tempestade para que eu visse cada palavra sua desaparecer no mar. Todos aqueles planos tão carinhosamente desenhados por nós sumiram como se nunca tivessem existido. Vi construir novos caminhos com alguém que eu nunca soube existir entre nós. Você se foi como se nunca tivesse chegado. Ou melhor, como se nunca tivesse se importado em ficar.

O seu barco me deu segurança para logo depois me deixar afogar. E eu, que sempre tive medo da imensidão do mar, precisei aprender sozinha a nadar até que me sentisse capaz de enfrentar as minhas dores e encontrar o meu lugar em terra firme. O seu barco foi de papel, mas me ensinou a não ter medo de molhar os meus pés; que o mar assusta e traz riscos, sim, mas que eu posso sempre vestir o meu colete salva-vidas (almas) antes de estar em alto mar.

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