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Trocando de biquíni sem parar: 8 músicas que você sempre cantou errado

De médico, louco e compositor, todo mundo tem um pouco. Seja por surdez, pela fanhice do cantor, por achar que a letra original não faz tanto sentido assim ou por simples ousadia – que dia ensolarado, vou aproveitar pra fazer uso da minha licença poética – a gente acaba subvertendo o sentido de vários clássicos da música brasileira. Que – convenhamos – vez ou outra ficam beeeem melhores graças à nossa intervenção. E a gente acredita tão piamente nas nossas versões que quando descobre que canta errado, nosso mundo cai. E a gente vai olhar na internet. Ou, nos tempos mais remotos, no encarte do CD – duvido que é assim. Aposto a dignidade da minha mãe que estou certo. E aí… FUÉÉÉN. A dignidade da sua mãe vai por água abaixo.

Que atire a primeira pedra quem nunca cantou errado nenhuma destas músicas aqui:

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Vaaaaaaaaaaaamos começar:

1) Noite do Prazer – Claudio Zoli

Como a gente canta: Na madrugada vitrola rolando nu, trocando de biquíni sem parar

Como é, na real: Na madrugada vitrola tocando um blues, tocando B.B. King sem parar

A mais clássica de todas. A incidência de gente que erra a letra dessa música é maior do que a de pessoas que erram o uso da crase – eu, por exemplo, sei usar crase, mas sempre cantei errado. Até o fatídico sábado de manhã – eu devia ter uns 15 anos – em que minha mãe, com o rádio de pilha ligado, escutava um programa que falava justamente sobre isso: os enganos que as pessoas cometem nas letras das músicas. E aí meu mundo caiu. Porque apesar de B.B. King ser o maravilhoso rei do blues, quem vai querer uma vitrola que toca B.B. King quando se pode ter uma vitrola que troca de biquíni sem parar, gente?

2) Como Nossos Pais – Elis Regina

Como a gente canta: É você que é mal passado e que não vê que o novo sempre vem

Como é, na real: É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem

Confesso: essa eu sempre cantei certo. Entre outros motivos, porque Elis é a musa da minha vida, e seria uma heresia eu cantar uma música dela errado. Mas conheço gente de baciada que canta essa música errado. E fico brisando na possibilidade de chamar alguém de “mal passado”. Pros que gostam de carne ao ponto ou bem passada: seu babaca, escroto, idiota, mal passado! Pros que, como eu, preferem que o boi quase urre no prato: coisa linda da minha vida, pedacinho de céu, mal passado do meu coração <3

3) Será – Legião Urbana

Como a gente canta: Será que vamos ter que responder pelos erros anais, eu e você?

Como é, na real: Será que vamos ter que responder pelos erros a mais, eu e você?

Cometer erros anais: quem nunca? Aliás, a gente nasce cometendo erros anais. Cagando por tudo que é lugar: na fralda, na cama, na cara da mãe, enquanto está no colo daquela tia que veio do interior de Minas Gerais só pra visitar o bebê. Depois dos 18, o erro anal muda um pouco de figura, mas isso é papo pra outra hora. Por enquanto, a questão é: será que vamos ter que responder pelos erros a mais – inclusive por enxergar malícia numa música tão pura –, eu e você?

4) Amor de Chocolate – Naldo

Como a gente canta: Autoestima, autoestima, autoestima, autoestima. Em cima, em cima, em cima, em cima.

Como é, na real: Alto, cima, alto, cima, alto, cima, alto, cima. Em cima, em cima, em cima, em cima.

Dessa eu também tinha certeza. Absoluta. Tanto é que, um belo dia, estava numa balada no Rio de Janeiro. Começou a tocar essa música. Dancei e cantei (errado) como se não houvesse amanhã. Aí começou a rolar um boato de que o Naldo tinha tentado entrar na mesma balada, mas que não conseguiu porque estava de regata e boné, e isso ia contra as regras da casa. Foi barrado. Hoje, penso que talvez tenha sido uma intervenção divina em meu favor. Já pensou estar na rodinha da balada com o ~compositor~ do sucesso e cantar errado? Vergonha da vida.

Mas, ainda assim, continuo cantando errado, porque acho que Naldo Benny perdeu a oportunidade de fazer uma ode ao amor-próprio. Autoestima é beeeem mais legal do que alto, cima.

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Achei que essa foto do Naldo animaria o seu dia <3

5) Minha Alma – O Rappa

Como a gente canta: Spice Boys, Spice Boys não me passam medo

Como é, na real: Pois paz sem voz, paz sem voz não é paz, é medo

Venham, Spice Boys! Aqui é Spice Girls. Não tenho medo de vocês, não! A nossa divina capacidade de transformar uma canção pela paz em uma canção pela guerra.

6) Lágrimas e Chuva – Kid Abelha

Como a gente canta: Eu tô plantando os meus problemas que eu quero esquecer

Como é, na real: Eu dou plantão dos meus problemas que eu quero esquecer

Tenho certeza ABSOLUTA de que a Paula Toller tá plantando os problemas dela. Não gosto de Kid Abelha, mas já ouvi um milhão de vezes todas as versões possíveis: a acústica, a original dos anos 80, em midi, de trás pra frente, do avesso. E é “eu tô plantando os meus problemas”. Não venham me dizer que eu sempre cantei errado, inclusive nos shows que fiz com a primeira banda que tive na vida. Eu simplesmente não aceito.

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BÔNUS TRACK

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7) De volta ao Planeta – Jota Quest

Como alguém bem surdo canta: Eu tô com o Tony Preto no planeta dos macacos

Como a gente canta: E tá faltando emprego no planeta dos macacos

Orkut: uma saudade. Como boa amante de enganos musicais, eu era frequentadora da comunidade que dá título a esse texto, “Trocando de biquíni sem parar”.  Na época, eu devia ter uns 14 ou 15 anos e não muita coisa pra fazer. Então, sentava com a minha irmã em frente ao computador, ligava a internet discada – só de final de semana ou à meia-noite, que era pra pagar pulso único –, esperava conectar, acessava o Orkut e passava horas na “Trocando de biquíni sem parar”, lendo todos os comentários e rindo até quase fazer xixi nas calças por causa de enganos como esse.

Mais alguém aí tá com o Tony Preto no planeta dos macacos? Me avisa que é pra eu providenciar o Viennatone.

8) Fricote – João Paulo e Daniel

Como uma amiga querida canta: Sou seu namorado, vem, vem. Quica no danado, vem, vem, vem.

Como é, na real: Sou seu namorado, vem, vem. Que calor danado, vem, vem, vem.

Como se não bastasse uma criança de sete anos dar uma conotação absolutamente sexual à música do Art Popular, ela ainda cantava e dançava na sala da casa da vó. Que devia falar: “ai, que orgulho da minha netinha!”.

Anos 90. Saudades eternas.

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