Frederico Elboni por Frederico Elboni

Eu quero um amor de domingo

Um domingo, às vezes, quando posto contra a parede, deixa de ser um simples dia e se torna um sentimento. Para alguns, de tristeza, angustia, reflexão, para outros, de esperança ao recomeçar uma nova semana. Mas, independente do sentimento ou do estado de espírito, saber aproveitar o domingo é como saber saborear um amor sereno; ficar nas cobertas que nem carambola, dar beijos calmos feito água doce, se preencher com pouco, mesmo sendo muito…

Domingo é eufemismo de preguiça. Quer coisa mais gostosa do que alguém que saiba viver, a dois, essa preguiça? Juntinhos, numa eternidade toda nossa, viver na preguiça a dois é um prazer para poucos. É dormir juntos, mas acordar sozinho, pois um de nós já foi colocar a água para ferver. É dormir juntos, mas acordar sozinho, pois um de nós foi ver um filme na sala para não acordar o outro. Se relacionar com alguém que só sabe viver loucuras, cansa, se faz vazio e pouco genuíno a longo prazo. Nem todos os amores precisam ser uma sexta-feira. Acontece que o dia a dia, com a idade, se torna menos loucura e um pouquinho mais de planejamento sobre o piquenique que iremos fazer no fim de semana.

Como assim você nunca fez um piquenique?

Diferente de alguns amigos, eu não busco mais um amor de sexta-feira. Claro, as aventuras ainda me parecem lindas, mas, mesmo elas, andam se apresentando de outra forma. Os meus beijos, obviamente, ainda se pluralizam nos puxões de cabelo, mas não são mais regra. As minhas vontades não vêm mais em forma de tempestade, nebulosas e sem limites, mas em forma de chuva de verão, deliciosas e charmosas pela imprevisibilidade previsível.

Engraçado, pois quando digo querer um amor de domingo, todos me entreolham, assustados, como se eu precisasse sempre viver um amor de sexta-feira. Mal sabem eles que todos os meus amores até hoje foram de sexta-feira. Eu sei, há quem procure um amor de sexta-feira, pois já viveu muitos amores de domingo. Eu quero um amor de domingo, pois de sexta-feira, já tenho até os segundos. Fases da vida; de calmaria e aventura.

Domingo tem cara de sexo gostosinho, no diminutivo mesmo, tem cara de pipoca meio doce meio salgada, tem mescla de vida saudável, pelo lindo dia de sol, mas também de sono de emergência durante a tarde. Tem beijo na nuca e carinho por trás da orelha, tem céu tangerina no fim de tarde e pizza sem culpa pela noite. Tem preguiça e vontade de aproveitar a vida. Tudo ao mesmo tempo. Domingo é uma menina grossa, mas que, no fundo, é um amorzinho.

Já tive alguns amores loucos, feito sexta-feira, e, incrivelmente, todos me fizeram muito bem. Mas, hoje, um amor de domingo me soa mais parecido comigo, me faz ser o que eu realmente sou; filme, sexo de ladinho e ar condicionado com cobertas. Muitas pessoas esperam e anseiam a sexta feira como solução dos problemas, eu só espero que o domingo, como meu próximo amor, nunca acabe… Mesmo que eu saiba que, no final, tudo sempre acaba.

PS: sério mesmo que você nunca fez um piquenique?

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