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Procura-se um amor que goste de tomar litrão sentado na calçada

Cheguei a um ponto da vida em que não sinto vontade de me dividir por quase ninguém. Não quero ser a metade de alguém que não seja a outra parte que procuro. Quero alguém que carregue pelo menos um pedaço daquilo que levo comigo; alguém que olhe para quem eu sou e diga: “Porra! É exatamente isso que eu quero para mim”.

Se hoje eu digo isso é porque percebi que nem todo mundo está pronto para receber o amor que tenho a oferecer. Não é qualquer pessoa que vai aceitar o meu jeito de levar a vida. Não é toda relação que vai me dar a liberdade de ser quem eu sou.

Ser feliz a dois tem ficado cada vez mais difícil.

Por muitas vezes eu me diminui para caber em um amor que nunca me deu espaço. Por outras vezes já tive que ser maior do que eu era, e, mesmo assim, sobrou espaço demais. No fim das contas, eu me cansei de tentar me encaixar em pessoas que nunca se sentiam confortáveis.

Hoje em dia eu prefiro alguém assim como eu. Quero uma pessoa que não se importe com os destroços que deixo pelo caminho; pelo contrário, quero alguém que caminhe junto comigo independente de qualquer situação.

Afinal, não adianta dividir apenas o coração, sabe? E o meu litrão gelado, quem vai dividir comigo? Quem vai sentar na calçada ao meu lado e falar sobre a vida? Quem vai dividir também experiências, medos, segredos?

Não adianta dar só amor. Também quero alguém que me dê ressaca. De bebida. De companheirismo. De vida.

O litrão você pode deixar por minha conta. Depois a gente analisa se o nosso amor merece a ressaca do dia seguinte.

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